Faz um tempo que prometi escrever sobre os perrengues que passamos na Europa, foram 30 dias visitando 5 países: Portugal, Espanha, França, Bélgica e Holanda. Sorte nossa que não aconteceu nada grave, são mais situações engraçadas, trapalhadas com o idioma e algumas saias justas. Fiz essa viagem com a Márcia em 2015, foi nossa maior viagem até hoje, passamos 10 meses planejando e aprendendo um pouco sobre cada cidade que queríamos visitar. No final passamos em 15 cidades e claro que temos muitas histórias para contar sobre essa aventura. Nesse outro post falamos como foi nossa trip.
Vamos começar as histórias, ou melhor, os perrengues… Enquanto estávamos planejando a viagem uma das nossas preocupações era a quantidade de bagagem, como nosso deslocamento entre as cidades seria de trem, resolvemos levar apenas duas mochilas, estilo mochilão, para ficar bonito na foto. Problema que não cabia roupa para 30 dias e também tinha a questão do peso, não podia comprar duas mochilas gigantes. Então decidimos que teríamos que lavar roupa em algumas cidades.
Primeira vez que precisamos lavar roupa foi em Madri, encontramos uma lavanderia “self-service”, com uma máquina gigante (que nós mesmos deveríamos operar), parecia lavanderia industrial. Passamos uns 10 minutos olhando para a máquina sem ter coragem de colocar as roupas dentro e tentar apertar alguns botões para ver como funcionava. Desistimos e resolvemos esperar um cliente, para ver como ele ia fazer. Passaram mais 10 minutos e finalmente chegou um rapaz, fiquei olhando para a Márcia e estávamos com aquela cara de “matuto”, olhando o rapaz operar a máquina. Parece até brincadeira, mas o rapaz também não entendia muito de lavanderia e foi tirar dúvidas com agente. Resumindo, ficamos nós três tentando colocar a máquina para funcionar e no fim tivemos que apelar para o youtube. No fim, deu tudo certo. Em outra cidade ainda pegamos uma máquina que ficou engolindo nosso querido dinheiro e nada de iniciar a lavagem das roupas, até que apareceu uma funcionária da lavanderia e resolveu o problema com algumas pancadas na máquina. Pronto! Roupa limpa, vamos para outro perrengue.
Em Lisboa andamos muito de ônibus e um certo dia começou uma gritaria dentro do ônibus, uma senhora gritava: “pick pocket, pick pocket…” Mal dava pra entender a gritaria. Eu já tinha lido sobre esses pequenos furtos e logo coloquei a mão na minha pochete (nesse momento a pochete feia é segura, na minha ainda tinha um cadeado com segredo, hehe), estava tudo ok. A Márcia não estava entendendo nada e ficou perguntando o que era, muitas pessoas dentro do ônibus também não tinham entendido nada, no fim, roubaram a carteira de uma senhora que nem viu a ação dos ladrões, só percebeu que tinha sido roubada quando o motorista apareceu com a carteira dela na mão já sem os cartões e o dinheiro.

Em Barcelona pagamos um mico dos bons, estávamos passeando pela cidade e vimos a praça da Fonte Mágica, então falei para a Márcia que era uma atração famosa e que ficava lotada na hora do espetáculo, resolvemos guardar um canto bem em frente a fonte e esperar o show começar. Já sabíamos que não era todo dia que tinha apresentação, mas vimos outros turistas chegando e esperando, então a certeza que teria apresentação aumentou, vamos esperar… Uma hora depois, nada de fonte, duas horas depois… Nada de fonte, hehe, aí suspeitamos que este era um dos dias que não teria apresentação… acabamos voltando no dia seguinte. Quando chegamos no dia seguinte o cenário era completamente diferente, não tinha só uma dúzia de turistas esperando o show, tinha algumas centenas, não tinha lugar nem para colocar o pé no chão. A doce ilusão de encontrar um canto privilegiado igual o dia anterior acabou como um passe de mágica. Tivemos que subir em uma mureta e tentar ganhar um espaço. No fim, deu certo e o show realmente foi um espetáculo.
Perrengue do tira gosto (entrada), esse aconteceu em vários locais, já tinha acontecido também no Uruguai. Toda vida que chegávamos em um bar o garçom trazia a entrada, as vezes era pão com azeite, bruschetta, biscoitos… Eu nunca sabia se tinha que pagar ou não, se eu comia ou não. No Uruguai tinha alguns restaurantes que já colocavam na conta, ou seja, sempre tinha que pagar, comendo ou não. Essa confusão continuou por toda viagem da Europa, teve um garçom que chegou e perguntou depois de colocar o tira gosto na mesa: “Brasileiro? Todos são desconfiados…”. Hehe. Em Madri eu achei um bar bacana e ganhei um tira gosto para cada chopp que comprei, mas dessa vez eu fiquei sentado no balcão, conversando com o barman. Resumo, até hoje não sei se paga ou não paga, vai depender do estabelecimento e a cara de desconfiado vai continuar.

Na Holanda aconteceu uma cena bacana, foi em Volendam quando fomos comprar queijos. Chegamos em uma loja especialista em queijo, tudo muito gostoso e resolvemos comprar alguns para trazer na bagagem. Nossa dúvida, será que vale arriscar comprar um queijo caro e correr o risco de ser barrado no aeroporto? Nem todos os produtos alimentícios podem entrar no Brasil. Tentei explicar para uma vendedora a situação e acabei não entendendo muito bem as explicações, ela falou sobre os queijos e mostrou vários tipos, aumentando nossa dúvida sobre o melhor queijo. No fim das contas escolhi dois queijos, mesmo sem saber muito bem sobre os sabores. Quando eu estava na fila do caixa, uma outra vendedora se aproximou e perguntou: “São brasileiros? Querem que eu explique melhor sobre as opções que temos na loja?”. Minha resposta foi instantânea: “Com certeza!”. Problema resolvido, ela explicou com detalhes cada tipo de queijos, deu dicas de como conservar melhor na viagem e ficou muito feliz em praticar seu português.
Andar de trem na Europa sempre é uma aventura, temos várias histórias. Uma vez chegamos muito cedo na estação e resolvemos embarcar no trem que saía mais cedo, deu certo, um amigo nosso já tinha dito que não tinha problema, dependendo do horário. Teve um trem em Bruxelas que mudou de plataforma e horário, mas não havia muita informação sobre essa troca em lugar nenhum, sorte que por acaso eu perguntei para um funcionário onde era a plataforma X e ele falou que meu bilhete tinha sido antecipado e nosso trem já estava quase partindo na plataforma Y, foi aquela correria. Teve uma viagem que eu mostrei os bilhetes na hora do embarque, durante a viagem conversei um pouco com o funcionário sobre o Brasil e depois perdi os bilhetes, no fim da viagem veio outro funcionário e pediu nosso bilhete, depois de alguns minutos procurando e não encontrar nada, eu já estava ficando nervoso. Sorte nossa que chegou o outro funcionário (que eu tinha conversado antes durante a viagem) e falou que eu já tinha mostrado, podia liberar: “Os brasileiros são gente boa, já mostraram o bilhete”, disse ele. Trocar de vagão e confundir o assento é quase certeza acontecer com marinheiro de primeira viagem, teve um momento que cheguei para um passageiro e disse que ele estava na minha poltrona, mas na verdade eu é que estava no vagão errado.
Teve um perrengue previsto, quando visitamos Toledo na Espanha, resolvi comprar uma espada, a cidade é cheia de lojas com artigos medievais, eu fiquei louco com a perfeição dos objetos e falei para Márcia que tinha que levar alguma coisa de lembrança, de preferência uma espada.

Comentário básico dela: “Quero ver como tu vai levar uma coisa dessa na mochila… E ainda tem que embarcar.” Não deu para comprar a espada do tamanho que eu queria, mas comprei uma menor. Não demorou muito para ter que explicar o que era aquilo dentro da minha mochila. Um guarda perguntou depois de passar a mochila no raio-x na estação de Bruxelas: “Tem uma espada na sua mochila?”. Precisei abrir a mochila, mostrar o recibo de compra e explicar que era artigo de decoração… Depois de muito bla bla bla, ele liberou nosso embarque.
Ainda temos muitos perrengues para contar, muitas histórias, infelizmente alguns eu não tenho nem como descrever. Sem contar em outros que viraram segredos, tipo aquele ditado: “O que acontece em Vegas fica em Vegas”.
Abraços e boa viagem, ou melhor, bons perrengues.
